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Casa-grande e senzala

História e sossego numa fazenda tombada do século 19, preservada pela mesma família há oito gerações. Tem até ociário!

Por Laura Somoggi - editado por Rachel Verano
Revista Viagem e Turismo - Março de 2003 - Edição 89

Quando você chega na Fazenda Pinhal, em São Carlos, a duas horas e meia da capital paulista, parece que o tempo é outro. Em dois sentidos. Primeiro porque a casa-grande, a antiga senzala, o terreiro para secar café, a tulha onde os grãos eram processados e as palmeiras imperiais remetem à época colonial, quando a cultura cafeeira fez o interior paulista prosperar. Segundo - e mais gostoso - porque o ritmo na fazenda é preguiçoso, perfeito para descansar de uma semana agitada.

O Pinhal (como é chamado pelos íntimos) é menos um hotel-fazenda com mil atividades e mais um lugar para passear, contemplar a natureza, ler e relaxar ao som da água dos repuxos e reguinhos nos jardins. Mas os mais animados não têm como se entediar. Caminhadas, cavalgadas e banho de cachoeira dão conta do recado daqueles que tiverem energia para gastar.

A grande diferença entre a atmosfera do Pinhal e a de muitas outras fazendas que recebem hóspedes (pois é, não consigo classificá-lo como hotel-fazenda) é a sua história. A casa, que foi construída em 1831, tem móveis, quadros, fotos e louças de época. A arquitetura do início do século 19 é composta por pátio, alcova, salões, biblioteca com edições de época e capela. A fazenda foi declarada Patrimônio Histórico e Artístico Nacional pelo Ministério da Cultura em 1987. E tem sido preservada pelos descendentes do conde do Pinhal (o fundador de São Carlos do Pinhal) há oito gerações.

A preocupação em manter o lugar conservado explica por que não mais do que 30 hóspedes podem ocupar a fazenda ao mesmo tempo. São ao todo 12 quartos. Seis ficam na antiga senzala (totalmente reformada, é claro). Além dos quartos, na senzala ficam ainda o salão de refeições, a sala de leitura, a de televisão e um bar. Os outros seis quartos ficam numa ala mais nova situada em frente a um dos jardins (jasmins, manacás, lírios sempre perfumados). As acomodações são confortáveis e bem charmosas. Pé-direito alto, chão de tábua corrida, móveis de época, cortinas de linho bordado, maçanetas francesas de porcelana e vasos com flores do jardim. Apesar da sofisticação, nenhum quarto tem ar-condicionado (mas tem ventiladores de teto), televisão, frigobar ou telefone (para mim, não fez diferença, mas há quem sinta falta).



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